A Palavra

CAPÍTULO VI

A Palavra


    “E todo o Homem que encontre a Palavra do Inefável - Amén vos digo: os Homens que conheçam essa Palavra, conhecerão a Gnose de todos estes Ensinamentos que vos tenho dado. Os Ensinamentos que estão embaixo e os que estão em cima, os que se estendem para diante e para os lados, numa palavra, todo o Homem conhecerá a Gnose de todos estes Ensinamentos que vos dei e dos que ainda não vos falei mas de que vos falarei, Região por Região e Ordem por Ordem na expansão do Universo.”
- Pistis Sophia

    CLXV, esta palavra de quatro letras é a representação alfanumérica do Símbolo.

    É interessante recordarmos outras palavras similares como INRI, ou mesmo TARÔ.

    A primeira coisa que devemos afirmar é que CLXV também é uma referência numérica, já que em números romanos CLXV significa “165”. Que no Tarô, simboliza “O Mago”, “O Amor” e “A Lei”.

    O Mago, como Arcano I, representa a Divindade e também é um símbolo do Caminhante que vai em sua jornada em direção ao Espírito. Já o Arcano VI e o Arcano V, representam a dualidade da força, os dois princípios que devem ser equilibrados e harmonizados para a concreta manifestação harmoniosa da vida.

    CL corresponde a 150, XV a 15. Tanto o 15 quanto o 150 são o mesmo princípio, apenas diferem em sua potência. O 15 é a Terrível carta do Diabo, de Baphomet.

    Algumas pessoas creem que o Arcano 15 é o Diabo em seu sentido nefasto e maquiavélico, já que é representado com uma figura não humana, mas antropomórfica; no entanto, afirmamos que o 15 é algo divino e se relaciona com a Criação e com nossa Organização.

    Se estudarmos os Arcanos anteriores vamos ver que o 12 é o Sacrifício pela Humanidade (O Apostolado), 13 é a Morte Psicológica, a Eliminação de Nossos Defeitos (A Imortalidade), o 14 é o Trabalho Alquímico (A Temperança)… obviamente o 15 é o Andrógeno Divino, e nos assinala a necessidade de organizar todo este trabalho realizado, para que no 16 (A Torre Fulminada), não seja o Iniciado que seja fulminado e, sim, as impurezas que lhe restam.

    O próprio Cristo, por meio de Jesus, já dissera que quem quisesse vir após ele, que negasse a si mesmo, tomasse sua Cruz e o seguisse. Que são estes três passos do 12 ao 14, os quais culminam no 15, o Gólgota e a integração dos dois Poderes.

    O número 15 se encontra presente de grande maneira nos Mistérios.

    A Tábua de Esmeralda, escrita por Hermes Trismegisto tem quinze partes:

    (1) É verdade, certo e muito verdadeiro:

    (2) O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.

    (3) E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.

    (4) O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua nutridora;

    (5) O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.

    (6) Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.

    (7) Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.

    (8) Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.

    (9) Desse modo obterás a glória do mundo.

    (10) E se afastarão de ti todas as trevas.

    (11) Nisso consiste o poder poderoso de todo poder:

    Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo o que é sólido.

    (12) Assim o mundo foi criado.

    (13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.

    (14) Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegisto, pois possuo as três partes da filosofia universal.

    (15) O que eu disse da Obra Solar é completo.


    O Livro dos Mortos Egípcio, o qual continha os textos religiosos da época, que equivalem à atual bíblia, possui 165 (CLXV) capítulos.

    O próprio Tarô, que em verdade é um livro, tem seus tão conhecidos 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores, totalizando 78 Mistérios. É claro que se somarmos o 7 e o 8, encontraremos mais uma vez o 15, o que é muito significativo.

    A Via-sacra tem seus quinze momentos ou estações, inicia com a condenação de Jesus e vai até sua ressurreição no 15:

    1º - O Cristo é Condenado a Morte;

    2º - O Cristo carrega sua Cruz;

    3º - O Cristo cai pela primeira vez;

    4º - O Cristo encontra-se com sua Mãe;

    5º - Simão ajuda o Cristo a carregar sua Cruz;

    6º - Verônica enxuga o rosto do Cristo;

    7º - O Cristo cai pela segunda vez;

    8º - O Cristo consola as mulheres de Jerusalém;

    9º - O Cristo cai pela terceira vez;

    10º - O Cristo é despojado de suas vestes;

    11º - O Cristo é pregado na Cruz;

    12º - O Cristo morre na Cruz;

    13º - O Cristo é descido da Cruz;

    14º - O Cristo é sepultado;

    15º - O Cristo ressuscita dentre os mortos;


    Como já dissemos, do dois surge o terceiro, e o “6” central do 165 é certamente a criação do 15, que sempre fica ao centro.

    Do 15 extraímos o 6, que representa a Alma, dentre outras coisas.

    Quando se entregou à humanidade o Livro do Tarô, este sábio tratado de Kabala até hoje tanto estudado e utilizado, realmente se retirou um véu que caía sobre estes mistérios divinos, pois nos aproximou mais uma vez de nossas origens espirituais.

    O Mago (1) exercendo apenas o Amor (6), equivale à Fragilidade, a torre de babel (16), pois sua construção não terá uma base sólida e será destruída.

    O Mago (1) exercendo apenas a Lei (5), equivale à Paixão (15), obviamente, é muito perigoso se valer apenas da Lei.

    Não é ao acaso aquele trecho ritualístico que diz: “Amor é lei, porém, amor consciente”, se decompormos numericamente vamos encontrar 6=5 ~ 165.

    Porque o Amor é a própria Lei, quando integrados. Porém, há que haver consciência (O Mago) para determinar a dosagem e mesmo o momento de ambos.

    Se observarmos o número 65, por exemplo, vamos ter Kabalisticamente “A Aprendizagem”, que é o processo para o surgimento do 1, pois se está incompleto. Somente quando houver 165 haverá 12 (1+6+5), que é o Apostolado e que, por meio deste, chegamos ao Espírito Santo (3), que é igualmente a representação da tríade divina.”

    “‘Por conseguinte, o que receba a Uma e Única Palavra desse Mistério do qual vos tenho falado, se provém do corpo de matéria dos Arcontes e se os Receptores Retribuintes vêm libertá-lo do corpo de matéria dos Arcontes — os Receptores que libertam do corpo, todas as Almas que partem — logo que os Receptores Retribuintes libertam a Alma daquele que recebeu este Um e Único Mistério do Inefável, de que recentemente vos falei, imediatamente, se está liberto do corpo de matéria, se converte numa grande corrente de Luz no meio desses Receptores e estes sentir-se-ão terrivelmente atemorizados pela Luz dessa Alma e serão tornados impotentes e cairão, desistindo em conjunto, por temor à grande Luz que acabaram de ver.’
    ‘E a Alma que recebe o Mistério do Inefável elevar-se-á de novo à Altura, convertida numa grande corrente de Luz e os Receptores não poderão compreendê-la e não saberão como é constituído o caminho sobre o qual irá. Porque, convertida numa grande corrente de Luz, elevar-se-á à Altura e nenhuma força será capaz de a deter nem aproximar-se dela.’
    ‘Contudo, passará através de todas as Regiões dos Arcontes e de todas as Emanações da Luz e não dará respostas em nenhuma Região, nem desculpas, nem sinais e nenhuma força dos Arcontes, nem qualquer força das Emanações da Luz, será capaz de se aproximar dessa Alma. Porém, todas as Regiões dos Arcontes e todas as Regiões das Emanações da Luz, lhe cantarão louvores nas suas regiões por temor à Luz da corrente que a envolve, até que tenha passado por todas elas e se dirija à Região da Herança do Mistério que recebeu, o Mistério do Um e Único, o Inefável e se converta em Um com os seus Membros.
    Amén vos digo: estará em todas as Regiões tão rapidamente como uma flecha disparada’”.
    - Pistis Sophia


    A Pistis Sophia é a Bíblia Gnóstica, é o único livro que foi escrito diretamente com as palavras do Cristo Jesus, igualmente foi o único livro que se manteve intacto sem adulterações no decorrer destes séculos.

    A Pistis Sophia resguarda muitos mistérios, há muito para se dizer sobre este Livro que fala dos Mistérios mais indizíveis que a humanidade já teve contato.

    É um livro de difícil entendimento intelectual, pois é escrito pela Consciência de um Cristo vivo e suas palavras são caracteres de fogo que só são compreendidos pela Arte Real da Consciência.

    A Pistis Sophia, que é o Quinto Evangelho, a Bíblia dos Gnósticos, diz assim: “o Cristo após sua cristificação tinha 7800 (7+8+0+0 = 15) miríadas de Luz.”


    O “1” é o Pai e nos indica a Morte Psicológica; o “6” é claro, nos assinala o Cristo como Amor e o Sacrifício pela humanidade; o “5” como Lei, se refere ao cumprimento a Lei Divina e dos mandatos em relação à Alquimia e a formação dos Corpos Internos e do advento do Espírito Santo dentro do Homem.

    A soma destes números 1, 6 e 5, nos assinala o 12, que é o Apóstolo, é aquele que cumpre com estes três fatores.

    Veja que o Apóstolo não é aquele que simplesmente ensina, o Apóstolo é aquele que chega à perfeição da vivência e tem a solvência moral e o conhecimento prático de causa para poder ensinar. Este é o primeiro verdadeiro estágio que deve o Adepto chegar, ser um Apóstolo.