A Origem

CAPÍTULO IV

A Origem


    “O Segundo Espaço que está dentro não possui soluções, nem apologias, nem sinais, nem chaves, nem selos. Somente possui símbolos e formas.”
- Pistis Sophia

    Todas as coisas existentes são o resultado de algo que as gerou. Assim que existem os Princípios e existem as Formas.

   Muitas Formas geram outras formas, assim como muitos Princípios geram outros Princípios.

   Basta recordar que dois indivíduos devidamente polarizados (homem e mulher) podem dar forma a um terceiro.

   Assim que, tanto no sentido físico como anímico e mesmo Espiritual, há forças que são a origem de outras forças.

   Para poder explicar tal Mistério, temos de entender o que são Arquétipos. Arquétipo é como diz a própria palavra grega, a ponta, o topo, o princípio.

   Existem muitos arquétipos, como a referência de Dia e Noite, Vida e Morte, são percepções primordiais que se mantêm eternas e que são permanentes.

   Ainda assim, certamente, há algo que unifica e que dá origem a todos estes arquétipos, um Deus Primordial, um Primeiro Mistério do qual todos os Mistérios são emanados.

   Todos os autênticos símbolos religiosos são a manifestação de um Princípio Divino, o qual por sua vez têm também a sua origem.

   No estudo dos números encontramos uma das primeiras manifestações do Espírito, onde tal como uma sinfonia perfeita, rege toda a natureza por meio de seus cálculos inefáveis que até no mundo físico podemos estudar e quantificar suas ações tão bem determinadas.


   Na época desta experiência que levou até tal mistério, nada mais trouxe desta senão o Símbolo e seu Nome, e o que se sucedeu ao longo destes Quinze anos, foi a busca por compreender e desvelar tal Mistério.


   Todo Mago, todo Adepto, todo Mestre, sabe a real importância dos símbolos mágicos. Todo símbolo tem em si impregnados o dogma de seu criador e o dogma universal, caso esteja de acordo com tal dogma.

   O Selo de Salomão, o Pentagrama Esotérico são exemplos de dogmas universais, forças além das crenças humanas que se relacionam com princípios e com símbolos de uma vontade muito além da vontade humana.

   A relação entre Luz e Sombras, o Bem e o Mal, a Evolução e a Involução, o Dia e a Noite, independem da interpretação e da crença humana para que existam ou para que tenham poder e força.

   As estações do ano, ou mesmo os pontos cardeais já existiam antes de serem interpretados pelos homens. Os próprios quatro elementos básicos, antes de que o homem pudesse percebê-los, já existiam e manifestavam seu poder e seu mistério.

   Na Cruz vemos o martírio e Sacrifício do Cristo por sobre os Elementos da natureza. Isto, este símbolo, é uma força de grande poder, ainda que possam ser reforçados pelo entendimento humano e por novos argumentos que lhe possam ser atribuídos.

   O uso dos símbolos tem muitos motivos, desde atrair e impregnar certa força universal em um objeto que nos sirva de intermédio para exprimir esta vontade universal, até como uma recordação moral de um compromisso ou de uma vontade própria que necessitamos conservar.

   Por vezes, a humanidade cria símbolos para canalizar e expressar sua sabedoria, sua força, seu amor, mesmo seu ódio, e o sinal em questão torna-se o catalisador universal de um ideal. O Simples olhar para tal signo, traz por si só a ideia de seu idealizador, o qual para si representa algo, e se fora devidamente forjado, representará algo para os demais.

   A própria natureza tem seus Signos, não apenas a natureza humana, mas a anímica, a Espiritual e muito do que existe, muito do que é criado, são reflexos e sombras de tais princípios.

   Os números são símbolos máximos, porque as letras necessitam formar palavras e mais que isto, frases para exprimir uma ideia. Um número por si só já é todo um conjunto de ideias e de princípios, coisa que nenhuma palavra ou até mesmo frase é capaz de fazer totalmente.

   Os números não são físicos, não são vida como conhecemos, não são sentimentos e nem sequer o pensamento, estão mais além da vontade pois são o que são, inclusive estão mais além da própria consciência, eles são a própria representação de Deus. Não significa com isto que devemos adorar ou idolatrar os números, mas que aprendamos a falar com eles como falamos com os nossos semelhantes, assim aprenderemos a falar com nosso Deus interior. Podemos orar a Deus com palavras, mas só pode ouvir Deus aquele que escuta o que os números têm a dizer, pois é a linguagem do Espírito.

   Os números nos demonstram a equação da vida e do equilíbrio universal das coisas, eles não julgam nem se preocupam, simplesmente falam silenciosamente o que deve ser dito sem qualquer culpa ou equívoco em sua explicação.

   Na vida existe o Bem como força universal de Misericórdia, existe o Mal como a Justiça incorruptível que cobra de cada um na medida exata de seus atos. Os acontecimentos que ocorrem com as pessoas e o próprio mundo são frutos desta Justiça universal que cobra as dívidas de cada criatura, pedindo dele a justa ação que equilibre suas ações, ou dá o devido castigo pela sua incapacidade ou recusa de equilibrar-se espontaneamente. Veja que muitos se perguntam porque a Divindade permite estas coisas, a resposta é “porque é necessário”, afinal, ou se mantém o universo como um todo, ou ele seria destruído por este desequilíbrio. O Bem e Mal Universal são isto. Cabe ressaltar neste momento que mais além do Bem existe um outro Mal, e mais além do Mal, um outro tipo distinto de Bondade.

   Apesar de entendermos a Justiça como Má no sentido que nos dá estes castigos pelas ações delituosas, é graças a isto que vemos que algo está errado, e temos a graça de pagar de outra forma ou mesmo corrigir nosso curso e sanar tais delitos definitivamente.