A Jornada

CAPÍTULO II

A Jornada


    “Tempo depois, chega o Receptor do Pequeno Sabaoth, o Digno, o do Meio. Ele traz consigo uma taça cheia de Ideias, Sabedoria e Sobriedade, entregando-a à referida Alma. E eles vertem-na num corpo que não pode adormecer, nem esquecer, devido à taça da Sobriedade que lhe foi entregue. Contudo, constantemente se angustiará o seu coração, perguntando-se a si própria pelos Mistérios da Luz, até que os encontre através da Virgem da Luz e herde a Luz para sempre.”
- Pistis Sophia

   Para poder explicar o que descobrimos, é indispensável detalhar como encontramos, e por isto se faz imprescindível explicar o que éramos e o que nos tornamos, para chegar até tal Mistério.

   A infância foi bastante conturbada, no sentido de profundos questionamentos e reflexões que demonstravam uma profunda discrepância dentre a visão do que deveria ser o Mundo e o que ele era.

   Hoje a informação está por todas as partes graças à Internet e à proliferação dos dispositivos eletrônicos, mas naquela época não era assim.

   O que se está querendo dizer é que tais terríveis inquietudes não provinham por conta de estímulos externos e, sim, internos. Também, que não havia meio de obter informações acerca daquilo que gerava tais angústias, já que tudo era muito limitado e as pessoas com quem se tinha contato não possuíam nenhuma profundidade Espiritual autêntica.

   Antes dos sete anos já questionava os progenitores acerca de questões espirituais como o porquê de haver nascido ali e o propósito da vida.

   Aos sete anos de idade afirmava que estudar como a escola impunha as coisas era estúpido, visto que todos nós morreríamos e que tais conhecimentos seriam perdidos, bem como todos os esforços mundanos que fizéssemos na vida.

   A mentira nunca fez parte integrante da Personalidade que se formava, sempre tinha-se a perfeita percepção de ser um erro grave faltar com a verdade.

   Aquilo que algumas pessoas chamam de Sonhos Lúcidos ou Desdobramento Astral era algo cotidiano, principalmente durante a infância, permitindo estudar e explorar esta outra versão do mundo e entender melhor a parte espiritual por detrás da aparente realidade.

   Ainda, na Primeira Idade, já conhecia comprovadamente e argumentava acerca das Múltiplas Realidades, referindo-se às diferentes Dimensões que conformam a Realidade. Isto também porque via outras criaturas vivendo no mesmo ambiente que fisicamente vivíamos. Em sua casa, diversas vezes via criaturas vivendo no mesmo ambiente, mas, ainda assim, em uma forma distinta, em uma realidade diferente.

   Por muito tempo ocorreram eventos Telecinéticos que estavam ligados a um televisor antigo. Este televisor ficava no quarto de dormir.

   O que ocorria é que este televisor que tinha um botão simples de pressionar para ligar ou desligar, desligava-se sozinho quando se tinha a intenção de se levantar para desligá-lo. Isto foi testado muitas vezes por este, deixando de lado todo o acaso ou acidente. Recordando que nesta época ainda não existiam controles remotos ou nada do gênero, também o botão era mecânico, não digital.

   Além disso, não era o único caso de objetos que se moviam de maneira arbitrária à normalidade conhecida.

   A primeira vez que sentiu-se a presença de Deus foi muito impressionante. Ainda durante a infância, ao brincar em uma área externa de grama, sozinho, sentiu um arrepio que se projetava da coluna na altura do coração e se espalhava por todo corpo, principalmente na cabeça onde era mais sensível esta energia. Também eram intensamente invadidos por tal energia, as costas, barriga, ombros e braços.

   Foi este evento que tornou possível entender o que chamamos Estados de Consciência, e com o tempo tornou-se possível reproduzir aquele estado e a integração com a Divindade, bem como os benefícios disto.

   Este evento foi realmente a primeira vez que se fora tocado pela Divindade e foi um destes eventos transformativos marcantes nesta existência.

   O período mais difícil de crises intelectuais e emocionais foram dos 12 aos 21 anos, culminando com um evento em que dizia que necessitava encontrar a Verdade, que ansiava por beber do cálice da verdade, ainda que ampliada a dor, e foi quando houve o encontro com os Ensinamentos Gnósticos.

   O Gnosticismo é no sentido histórico a outra face do Cristianismo, algo anterior à sua polarização como Catolicismo Romano.

   Foram estes ensinamentos que acabaram por se corresponder com aquilo que já compreendia, e que explicavam o que fora vivido até então.

   Claro que, antes disto, houve muita busca e muitos estudos, mas nunca, nada havia preenchido totalmente aquele vazio espiritual por uma forma no mundo que se assemelhasse ao que levava dentro.

   Foi nesta época que as coisas tornaram-se mais sérias e objetivas. Não apenas no sentido físico, mas interno.

   Comumente as pessoas trilham o Caminho Espiritual de maneira mais ou menos velada, algo que não ocorrera neste caso. Cada avanço Espiritual e sua relativa recompensa era imediatamente recebida e assimilada conscientemente a cada passo do caminho.

   Aquelas provações que geralmente as pessoas somente contavam histórias, eram vividas conscientemente e recordadas em sua totalidade.

   Muitas vezes, ocorrera de primeiro tomar conhecimento de algo Espiritualmente nestas dimensões internas da natureza e, posteriormente, encontrar tais conhecimentos em Livros.

   Assim, passava por muita coisa internamente e mesmo na vida e, posteriormente, encontrava o significado disto nestas Obras que auxiliavam a entender cada passo e cada momento vivido.

   Mesmo antes de verdadeiramente pôr os pés no caminho, nunca foi dado aos vícios que as pessoas geralmente têm. Tinha uma percepção muito severa sobre tudo aquilo que afetava Percepção e Discernimento, nunca tendo nesta existência se entregado a qualquer excesso como o Álcool ou Drogas. Mesmo remédios sempre foram usados em casos muito raros e de extrema necessidade, mesmo para os problemas mais simples, principalmente na vida adulta em que praticamente não se fizeram presentes, nem mesmo para aliviar uma simples dor de cabeça.

   Isto porque tem-se esta percepção de que se algo vai mal, vale mais a pena investigar e resolver a origem que mascarar o problema ou ignorá-lo.

   Como já afirmamos, e temos plena consciência, tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, segue conosco ao longo de nossa vida, passando de existência à existência.

   Sendo assim, tudo aquilo que fazemos de real, de concreto nos acompanha, assim como tudo aquilo que deixamos mal resolvido.

   Dialogar com as Divindades, Anjos, Arcanjos, sempre foi uma coisa normal.

   Isto claro tendo ocorrido durante o período chamado de sono, quando a Alma se liberta do corpo e temos a oportunidade de viver nestas outras dimensões conscientemente ou sonhar como geralmente acontece com as pessoas.

   Muitas vezes se buscou orientação nestas dimensões internas, muitas vezes fui buscado para ser instruído.

   As primeiras instruções do Arcanjo que ficou responsável pela educação espiritual foi de ensinar a discernir entre o que é uma Virtude e o que é um Defeito.

   Também se aprendeu a dialogar com estas diferentes frações de si mesmo, com o objetivo de aprender sobre a natureza de cada uma.

   Houve um caso em que estando consciente no Plano Astral, fora buscar uma pessoa que fisicamente instruía sobre estes assuntos e acabou por ser ignorado por tal pessoa, que infelizmente sonhava naqueles momentos de identificação. Sequer era visto ou escutado por esta criatura cuja consciência estava por demais adormecida em sua fantasia interior. O que levou a compreender pela primeira vez que as pessoas não viviam o que ensinavam.

   Depois de um ano e meio de ter encontrado Ensinamentos e os Mistérios, deu-se como resultado do até então avanço espiritual e os méritos adquiridos, o início do processo de uma constante e sucessiva recapitulação de existências anteriores.

   Este foi um evento muito marcante e dramático, um dos tantos pontos de transformação evidentes. Afinal, abriu-se uma realidade ainda maior do que tudo aquilo que conhecia e lembrava até então.

   O que foi recebido de cada existência foi aquele momento primordial no qual o Profano torna-se um Iniciado, aquele momento quando em cada época se adentrou aos Mistérios, e cada distinto processo já vivido neste sentido.

   Foi quando se tornou mais ativo de participação destas atividades do Círculo Consciente da Humanidade Solar e se deu entrada em Templos e atividades até então limitados por conta do processo desta existência.

   Fisicamente sempre houve provações muito grandes, tendo de fazer escolhas sempre muito severas em relação ao caminho que estava disposto a eleger.

   Terríveis abdicações e purificações foram necessárias ao longo daquela jornada.

   Já bastante adiantado no caminho, mais de dois anos depois de ter efetivamente colocado os pés firmemente nesta jornada, em um Ritual nos Mundos Internos, juntamente com outro Irmão, recebeu o nome do seu Ser.

   Este ritual não foi para entregar o nome publicamente, mas para entregar à Pessoa, à Alma, o nome do Íntimo, ou seja, para dar conhecimento àquela Pessoa, de sua real natureza espiritual.

   Nesta época foi apenas trazido como recordação a primeira letra deste nome e o tamanho da palavra que a conformava. Nesta data ao voltar ao físico e observar a mão direita, dava-se conta de estar ali esculpido claramente tal letra.

   Por esta época ainda, foi feito um acordo com o Íntimo, a Divindade interior, para que entregasse a Sabedoria Divina em troca de qualquer conhecimento humano que pudesse vir a conquistar. Com isto, a vida profissional e cotidiana foi prejudicada, mas a parte espiritual alavancada de maneira maravilhosa.

   Depois de muitas difíceis escolhas, priorizando sempre o Espírito, a Divindade, culminou a vida no processo mais difícil e mais delicado já vivenciado.

   Certamente que quanto maior o trabalho, maior o sacrifício, mas maior a recompensa, e isto tudo se demonstrava de maneira plena por esta época.

   Nesta época culminavam anos sem ver televisão, ler notícias, também sem qualquer coisa comum que as pessoas geralmente fazem.

   Ali, havia se chego a um ápice de todos os sacrifícios pela Divindade, e pela integração real e concreta com Deus.

   Todo o tempo disponível era dedicado ao trabalho íntimo e para com o auxílio à Humanidade, de todas as formas que se apresentassem disponíveis.

   Por longos meses jejuava, meditava, orava, praticava intensamente a verdade, a bondade e tudo aquilo que da Divindade provinha.

   Os jejuns não eram totalmente voluntários, iniciaram-se devido principalmente a extrema falta de recursos, que era o resultado desta dedicação apenas à causas sociais e filantrópicas que não geravam qualquer recurso para sobrevivência.

   Nesta época houve muitos sofrimentos por conta da situação que fisicamente se apresentava, mas tudo isto transformava o que era, radicalmente, e de maneira muito rápida.

   E foi quando a revelação que é o cerne desta Obra, ocorreu.